Equidade de gênero em cargos de liderança ainda levará 25 anos para ser alcançada, afirma relatório da Grant Thornton

Publicado em

março 10, 2025

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  • 34% dos cargos de liderança em empresas de médio porte no mundo são ocupados por mulheres, avanço de somente 0,5% em um ano.
  • 77,6% das empresas já foram pressionadas por investidores e clientes para demonstrar compromissos com diversidade.
  • Estudos apontam que reduzir a desigualdade de gênero pode aumentar o PIB dos países em desenvolvimento em até 23%.

São Paulo, 10 de março de 2025 — O relatório Women In Business 2025 — produzido pela Grant Thornton, uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo — mostra que a participação feminina em cargos de liderança segue crescendo, mas a paridade de gênero continua distante. No ritmo atual, serão necessários 25 anos para que as mulheres ocupem metade das posições de liderança nas empresas de médio porte — um cenário que exige ações mais concretas para acelerar esse avanço.

Os números reforçam essa urgência:


  • Apenas 34% dos cargos de liderança no mundo são ocupados por mulheres, um crescimento tímido de 0,5% em relação ao ano anterior.

  • A América do Sul lidera globalmente, com 37,2% das posições de gestão ocupadas por mulheres, um aumento de 1,4%.

  • Já na região da Ásia-Pacífico, a participação é a menor do mundo, com 32,9%.

Os dados de 2025 mostram que as mulheres respondem por 34% dos cargos de liderança nas empresas de médio porte, um aumento de 0,5% em relação ao ano anterior. A América do Sul lidera a participação de mulheres, com 37,2% dos cargos de gestão ocupados por elas, um aumento de 1,4% comparado a 2024. Já a região da Ásia-Pacífico tem a menor participação feminina, somando 32,9%. 

“O Brasil se destaca como um dos protagonistas na promoção da equidade de gênero na América do Sul, impulsionado pela Lei da Igualdade Salarial e pelo compromisso voluntário com iniciativas de diversidade e inclusão. Ao longo dos anos, diversas ações reforçam esse avanço. No entanto, o crescimento ainda é lento e precisa de ações mais estruturadas”, afirma Élica Martins, sócia de Auditoria da Grant Thornton Brasil.

Brasil apresenta leve recuo na participação feminina

Apesar da liderança regional, o Brasil registrou uma queda de 0,4% na participação de mulheres na liderança, atingindo 36,7%. Segundo Élica, um dos fatores que contribuiu para essa retração foi a mudança nos modelos de trabalho: “Durante a pandemia, a adoção do trabalho remoto possibilitou uma maior presença feminina na gestão. No entanto, o retorno ao modelo híbrido trouxe desafios adicionais, afetando o avanço da equidade de gênero, pois as empresas não estavam preparadas para criar um ambiente seguro e acolhedor neste retorno”.

Pressão externa acelera mudanças nas empresas

Um dos destaques do relatório é a crescente pressão sobre as empresas para demonstrar esforços concretos em diversidade e inclusão. Segundo os dados:


  • 77,6% das empresas pesquisadas já receberam solicitações para comprovar ações em equidade de gênero.

  • Investidores são a principal fonte de cobrança, sendo responsáveis por 35,2% dessas exigências.

  • Clientes também impulsionam mudanças, com 31,1% pressionando empresas por maior diversidade.

“As empresas de médio porte estão percebendo que, para negociar com grandes corporações — que já possuem metas claras de diversidade —, é essencial ter estratégias bem definidas para equidade de gênero”, analisa Élica. “Oferecer programas voluntários, mentoria, flexibilidade no trabalho são ações possíveis”, completa.

Próximos passos

Para evitar que mais uma geração de mulheres seja deixada para trás, o relatório Women in Business 2025 destaca a importância de ações concretas. Segundo Élica, as empresas precisam:

  • Criar programas estruturados de mentoria e desenvolvimento para preparar futuras líderes.

  • Definir metas claras para diversidade na alta gestão, garantindo que mulheres tenham acesso a cargos estratégicos.

  • Fortalecer políticas de retenção de talentos femininos, reduzindo a evasão de profissionais qualificadas.

“Se o Brasil acelerar a inclusão feminina em cargos estratégicos, poderá impulsionar ainda mais seu crescimento econômico, seguindo a tendência global de que equidade de gênero gera inovação e rentabilidade”, explica a executiva. “Contratar mais mulheres não basta. Sem iniciativas eficazes para desenvolver e reter talentos femininos, as empresas perderão competitividade e limitarão seu potencial de crescimento”, finaliza.

Assessoria de imprensa da Grant Thornton: gt@wearesmart.com.br